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  • Luís Henrique Franco

CHRISTOPHER NOLAN: UM DIRETOR QUE NOS FAZ PENSAR


Um dos mais consagrados diretores da atualidade, Nolan ficou famoso por seus filmes longos que exploram temas muito complexos de filosofia, sociologia e ética, abordando desde a moralidade humana até a natureza maleável da memória e da identidade, permeando seu trabalho pela metafísica, narrativas não-lineares e relações análogas entre os elementos narrativos e a linguagem visual, sendo extremamente elogiado por integrar elementos do cinema de arte a filmes mais populares e que cativam o público.


Tendo dirigido 14 produções desde o final da década de 90, Nolan já possui em seu currículo 3 indicações ao Oscar, embora ainda não tenha vencido nenhuma. Seus filmes, no entanto, faturaram um total de sete premiações ao longo dos anos, além de outras 19 indicações, tornando-o um dos mais bem-sucedidos diretores atuais e conseguindo se alçar de produtor de filmes independentes de pequeno orçamento à mente por trás de alguns dos blockbusters mais rentáveis dos últimos anos.

O JOVEM DIRETOR

O segundo dos três filhos do casal Brendan James e Christina Nolan, Christopher nasceu em 30 de julho de 1970, em Londres. Portando dupla cidadania pelo fato de sua mãe ser estadunidense, vivia em constante mudança entre sua cidade natal na Inglaterra e Chicago.


Aos sete anos, já iniciava suas criações audiovisuais, utilizando uma câmera Super-8 emprestada do pai, com a qual ele filmava curtas-metragens utilizando seus Action-figures. Aos oito anos, produziu uma animação em stop-motion chamada Space Wars, inspirada diretamente na saga Guerra nas Estrelas, pela qual o garoto era fascinado. Recentemente, o diretor disse que, na época, estava muito orgulhoso de seu trabalho na animação, mas que ao assistir recentemente com seus filhos, ficou muito surpreso e desapontado com a péssima qualidade da produção.

Na faculdade, cursou literatura inglesa na University College London (UCL), instituição que chamou sua atenção principalmente pela qualidade de suas instalações para produção audiovisual. Dentro do cineclube da faculdade, Nolan começou, ao lado de Emma Thomas, sua namorada e futura esposa, a produzir filmes com câmeras de 16mm, que eram financiados através de exibições feitas de longas de 35mm durante o período letivo. Foi durante a faculdade que o diretor produziu seus dois principais curtas: o primeiro foi um filme surreal de 8mm chamado Tarantella, em 1989, foi exibido no Image Union, uma amostra de vídeos e filmes independentes; o segundo, Larceny, de 1995, foi filmado em um final de semana com um orçamento baixíssimo, financiado pelo próprio Nolan, e chegou a figurar no Cambrigde Film Festival de 1996. O diretor ainda produziria um terceiro curta, sob o título de Doodlebug (1997), que conta a história de um homem em um apartamento, tentando matar um inseto que o tem provocado há tempos. Apesar de seus dois minutos, o filme é bem feito e, mesmo com uma premissa simples, é capaz de colocar o espectador na tensão e provocar um choque no final.


OS PRIMEIROS THRILLERS

Com o reconhecimento ganho e as técnicas aprendidas na faculdade, o jovem cineasta iniciou seu primeiro filme, Following (1998), que conta a história de um jovem escritor desempregado que começa a seguir pessoas desconhecidas pela rua. Em certo ponto, porém, o personagem se vê dentro do submundo do crime após ser confrontado por um ladrão que ele seguia e que o ensina como viver de roubos e como assaltar locais. Com um orçamento de apenas 6000 dólares, o filme foi muito reconhecido em diversos festivais internacionais e deu a Nolan a credibilidade para arrecadar fundos para seu próximo filme.


Em 2000, o diretor lançou seu segundo thriller, Amnésia, com um roteiro escrito por ele mesmo e baseado em uma pequena história escrita por seu irmão, Jonathan Nolan. A história é centrada em Leonard (Guy Pearce), um ex-investigador incapaz de construir novas memórias e que parte em busca do assassino de sua mulher, usando de anotações e tatuagens para tentar localizá-lo. Nolan utiliza, nesse filme, um roteiro com sentido inverso e conta duas histórias diferentes: uma se passa em tempo real e narra a investigação de Leonard, enquanto a outra é baseada em memórias do passado e servem para revelar ao espectador o que aconteceu.


Amnésia concedeu ao diretor inúmeras honrarias e indicações ao prêmio de Melhor Roteiro e pavimentaram o caminho para seu próximo filme, o também aclamado thriller Insônia (2002), que narra a história de dois detetives (Al Pacino e Martin Donovan) que são enviados ao Alaska para investigar o homicídio de uma adolescente. Tentando atrair o assassino, os dois armam uma cilada que dá errado e resulta em um deles atirando no outro. Emocionalmente instável pelo ocorrido, o personagem de Pacino tenta resolver o primeiro assassinato enquanto sofre de insônia, provocada também pelo efeito do “sol da meia-noite” (naquela cidade, o Sol não se punha), enquanto também tem de lidar com uma detetive local (Hillary Swank) que investiga a morte de seu parceiro.

Com dois grandes sucessos, Nolan se assentou no ramo do suspense e dos thrillers psicológicos, que se tornaram sua marca registrada.

OS TRABALHOS NO UNIVERSO DA DC

O grande ponto de virada na vida do diretor, que o consagraria como um dos maiores e um dos mais famosos da atualidade, veio em 2005, quando o diretor foi convidado para reviver a saga do Batman pela DC Comics. Sua primeira produção, Batman Begins, assumiu um ar mais sombrio do que outros filmes anteriores do herói, abordando principalmente a construção do personagem a partir de seu medo de morcegos, seu treinamento na Liga das Sombras para se tornar um vigilante e um justiceiro, e as desavenças morais que o fizeram abandonar a ordem. Nolan também abordou mais a fundo a corrupção em Gotham como um tema sobre o qual trabalhar o herói, dando à sua saga um ar de maior realidade em comparação a outros filmes de super-heróis.


Em 2008, saiu o segundo filme da saga, O Cavaleiro das Trevas, que continua a história do combatente do crime, agora visto como alguém que, apesar de ser temido pelos criminosos e de trazer mais segurança às ruas de Gotham, ainda não é bem aceito por todos. O maior foco do novo filme, no entanto, é o Coringa, interpretado magistralmente por Heath Ledger. Valendo-se da ideia de um servidor do caos, que nunca planeja as consequências de seus atos e não comete crimes pelo ganho que eles geram, mas simplesmente pela “diversão” da desordem, Nolan instaura uma rivalidade marcante entre o vilão e o Batman ao apresentar dois personagens que, embora muito diferentes, possuem gigantescas semelhanças pelo fato de operarem fora da lei para servirem aos interesses que eles acham corretos. É como se ambos os personagens, apesar de serem lados opostos da mesma moeda, ainda sim pertencessem à mesma moeda, são conectados por alguma coisa. O segundo filme fez ainda mais sucesso que o primeiro, garantindo inclusive um Oscar a Heath Ledger e sendo aclamado como o melhor filme de super-heróis de todos os tempos.


Lançado em 2012, o terceiro filme da franquia, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, não fez tanto sucesso quanto seus antecessores, mas conseguiu marcar um fim decente para a saga do Batman ao trazer de volta a Liga das Sombras, reencarnada no vilão Bane (Tom Hardy), um assassino e mercenário com um conceito de “purificação” da cidade e de entregar todo o poder ao povo, instaurando uma espécie de anarquia onde reinam aqueles que têm armas. Ao mesmo tempo, vemos tanto o Batman quanto o mito ao seu redor renascerem como um último símbolo de esperança para Gotham, em uma luta final para manter a estabilidade da cidade e não entregá-la ao completo caos.

O sucesso de sua trilogia fez com que Nolan fosse requisitado para outros filmes do universo da DC Comics. Recusando o papel de diretor, ele se tornou produtor executivo de O Homem da Aço (2013) e Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016). Nolan também foi o roteirista do filme de 2013, que conta a história da chegada de Kal-El, o Superman, à Terra, e sua transformação em um símbolo de esperança.


OUTROS SUCESSOS

Uma tendência nos filmes de Nolan é a de sempre trabalhar com questões tanto humanas quanto científicas, explorando também a relação entre as duas em seu nível ético. Um grande exemplo disso é a trama do filme O Grande Truque (2007), que conta a história de dois magos rivais (Hugh Jackman e Christian Bale) que competem para ver quem apresenta o truque mais inovador. Na luta para provar quem é o melhor, os dois ferem um ao outro, levam à prisão um do outro e chegam até mesmo a causar a morte de uma assistente. Porém, o maior exemplo se dá quando o personagem de Jackman começa a fazer uso de uma máquina inventada pelo cientista Nikola Tesla (interpretado por David Bowie) para seu truque, e as ações tomadas por ele diante das consequências do uso da máquina.


Outro filme do diretor que questiona as condições éticas para uso da ciência é A Origem (2010), que narra a história de um grupo de pessoas capazes de manipular os sonhos de outras pessoas e moldá-los de maneira a conseguir o que desejam. Trabalhando para um homem poderoso (Ken Watanabe), o grupo liderado por Cobb (Leonardo DiCaprio), um gênio que usa a imersão nos sonhos de outros para roubar segredos de grandes corporações, tem a difícil tarefa de usar a mesma tecnologia para implantar uma ideia na cabeça de um diretor de empresa (Cillian Murphy), de forma a beneficiar seu padrão. Cobb realiza essas ações como uma forma de conseguir rever seus filhos novamente, mas toda a ideia de se mexer na mente das pessoas usando uma técnica de imersão questiona até onde a ciência deve avançar e nos coloca em alerta para o fato de tecnologias ou métodos como este já estarem sendo desenvolvidos.


Em anos mais recentes, Nolan tem buscado se aventurar mais no ramo da ciência. Em Interestelar (2014), o diretor abordou questões relacionadas à viagem espacial como uma forma de salvar a humanidade caso o Planeta Terra deixe de poder sustentar a presença das pessoas. Alvo de inúmeras críticas, tanto positivas quanto negativas, o filme se focou mais na questão científica e tentou explorar mais algumas teorias famosas relacionadas ao espaço, como a questão do “buraco de minhoca” e dos buracos negros, mas abordou também o uso excessivo de recursos e o caminho que isso pode forçar a humanidade a traçar.

Em Dunkirk (2017), o diretor irá realizar, pela primeira vez em sua carreira, um filme baseado em eventos reais. Focado no resgate de soldados britânicos presos na praia de Dunkirk, na Dinamarca, durante a Segunda Guerra Mundial, o filme recebeu críticas extremamente positivas e já é cotado como um dos melhores do ano, podendo finalmente conceder a Christopher Nolan o Oscar que ele tanto merece por sua obra. Dunkirk estreia no Brasil na quinta-feira, dia 27.


OS TOQUES PESSOAIS DO DIRETOR

Como já foi dito, Nolan gosta de histórias não lineares, geralmente utilizando-se de flashbacks colocados no meio da narrativa principal para trazer elementos importantes do passado. Também é comum que o diretor inicie o filme com uma cena que se passa no final dele, e que toda a história seja uma forma de como os personagens chegaram àquela cena. Reviravoltas também são algo muito utilizado por ele como uma forma de surpreender o espectador em um momento decisivo. Uma das cenas mais marcantes, que colocam uma suspeita na mente dos espectadores, é o final de A Origem.


Com relação aos personagens, Nolan geralmente apresenta protagonistas com problemas ou que escondem segredos importantes, colocando-nos sempre em dúvida quanto a se devemos confiar ou não nele. Em geral, os problemas que eles possuem remetem a algum acontecimento do passado ao qual eles permanecem presos. Também é comum que esses personagens apresentem alguma condição ou doença: o medo de morcegos de Bruce Wayne, os problemas de memórias de Leonard em Amnésia. Uma cena que geralmente é muito explorada pelo diretor é a abertura do filme focando nas mãos do protagonista, que está mexendo em alguma coisa.

Nolan também é famoso por suas parcerias de longa duração, em especial com a produtora Emma Thomas, sua mulher, e seu irmão, o roteirista Jonathan Nolan. Entre seus atores preferidos, destacam-se Tom Hardy, Christian Bale, Cillian Murphy e o veterano Michael Caine, que atua em todas as produções do diretor desde Batman Begins.


Muitos de seus filmes apresentam grande contraste entre luz e sombras, além de uma valorização muito grande da arquitetura como formadora da paisagem, de forma a tornar o ambiente tão protagonista quanto os atores. Nolan também é um adepto do uso de efeitos especiais práticos, e sempre que possível evita a computação gráfica, além de não gostar de câmeras digitais ou do 3D.

Essas foram algumas das características por trás dos filmes de Christopher Nolan. Estejam atentos para repararem nelas em Dunkirk. Deixe nos comentários abaixo qual o seu filme favorito do diretor e por quê.

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